Entre as ambições para a construção de uma carreira, os pequenos luxos do cotidiano e os momentos de lazer, os jovens são grandes consumidores de produtos e serviços. Não são raros os meses em que o salário não alcança a soma ansiedade + ambição + estímulo pelo consumo + crédito fácil.
O resultado é que o maior índice de pessoas com dívidas em atraso – 38,28% – está na faixa entre 16 e 20 anos, conforme a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre com base em dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). O início da vida financeira conturbado se acentuou com o maior acesso à tecnologia, avalia o diretor executivo da CDL, Ricardo Guimarães:
– Começou a partir do momento que teve o boom da telefonia celular.
São novidades que atraem os olhos de quem ainda não aprendeu a lidar com orçamento limitado. Novos smartphones, tablets ou carros. Roupas mais bonitas, de grifes. Viagens para lugares distantes. Games viciantes que exigem consoles potentes. Ter coisas enturma, faz o jovem se sentir poderoso e bem-sucedido. São alguns dos motivos que geram o consumo desenfreado, diz a professora de ciências do consumo aplicado da ESPM e consultora na área, Suzana Carvalho:
– Atualmente, o dinheiro tem muito mais importância na vida das pessoas do que anos atrás, e o estímulo ao consumo é grande.
A grande oferta de crédito é outro fator destacado por especialistas como vilão na busca pela saúde financeira. Se a posse de objetos é valorizada, os números que transitam entre uma conta e outra parecem não fazer mais sentido, mesmo quando surgem naquele temido tom avermelhado na tela do caixa eletrônico.
– Quem entra na faculdade ganha de bancos conta corrente e cartão, mesmo não tendo renda nem patrimônio. Você junta a falta de educação financeira com exacerbação do consumo e acesso a crédito, já viu – diz o economista Samy Dana, professor de administração e finanças da FGV.
Fonte: RBS
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