Dizem por ai que “o modo como o homem trata seu carro é o modo como trata a si mesmo”. Aqueles carros bagunçados, imundos, sem manunteção revelariam, pois, homens completamente desleixados, desorganizados e pouco cuidadosos. Veículos bem cuidados, com a manutenção em dia, interior organizado e limpo, seriam reflexo de pessoas disciplinadas e atentas. Verdade ou mentira, faz algum sentido. O que dizer das carteiras que tanto levamos para lá e para cá? Seriam elas capazes de oferecer algum indício a respeito dos hábitos financeiros de cada um? Falo dela mesmo, da carteira onde você guarda seus cartões de crédito, talão de cheques, dinheiro, carteirinha de plano de saúde, documentos etc. Antes de pegá-la, pense e responda sinceramente: ela está organizada?
O famoso “X-Tudo”
Isso mesmo, o nome que dou para as carteiras inchadas é “X-Tudo”. Brinco assim com os amigos que insistem em colocar dentro da carteira todo e qualquer papel, comprovante, conta, documento, foto, canhoto e o que mais você imaginar. Você é assim? Conhece alguém com esses hábitos? Repare como a carteira vai inchando, entortando, amassando e deformando.
“Está aqui em algum lugar!” costuma ser a resposta quando os donos das carteiras “X-Tudo” resolvem procurar pelos ingressos do cinema comprados há poucas horas. éóbvio que a transformação da carteira em um monstro não ocorre deliberadamente: na correria do dia-a-dia é razoável agir segundo a filosofia “guardo aqui que é seguro, onde mexo sempre e depois coloco em outro lugar melhor”. Ok, mas depois quando? O problema se arrasta…
Faço a crítica à falta de organização porque já fui assim. Costumava guardar tudo que podia na carteira, desde fotos, documentos desnecessários e protocolos de votação em eleições remotas a listas de supermercado, tickets de estacionamento e comprovantes cujos textos já estavam completamente apagados. Certa vez um recibo desapareceu. Depois foi a vez de um documento mais importante. Era chegada a hora de admitir que a carteira, além de não caber no bolso, estava desorganizada, fora de controle. Abaixo listo o que funciona para mim na hora de lidar com a carteira:
Gastos são anotados em uma planilha, comprovantes são jogados fora e recibos/notas fiscais são guardados em pastas separadas por ano;
Cartões de visita de clientes são armazenados em um porta cartão de visita, no escritório, e organizados em ordem alfabética;
Oúnico documento de identidade que está sempre comigo é a Carteira Nacional de Habilitação. Além da CNH, estão presentes os cartões do plano de saúde e do seguro do carro. Os demais documentos originais ficam guardados em uma pasta específica para este fim;
Não carrego talão de cheques e tenho apenas três cartões de crédito, sendo que um deles também funciona como débito e é o cartão de uso bancário;
Prefiro realizar saques periódicos para os pequenos gastos, evitando assim andar com grande quantidade de dinheiro na carteira (uso muito o cartão de débito) e facilitando o apontamento das despesas no orçamento financeiro.
Que fique claro que estou longe de ser um exemplo de organização. A lista acima representa uma mudança de hábito em relação ao controle das variáveis que cercam o planejamento financeiro, algo que nem sempre valorizamos ou que simplesmente ignoramos, ainda que inconscientemente. Funcionou para mim, pode funcionar para você. Ou não.
A carteira e o carro são exemplos presentes na vida de muitos brasileiros, por isso decidi usá-los no artigo de hoje. Mas repare como eles também funcionam perfeitamente com metáforas para outras áreas e atitudes que neste momento podem estar “do avesso” e trazendo dores de cabeça. No início, sair da zona de conforto pode incomodá-lo, deixá-lo inseguro, mas garanto que será uma experiência libertadora. O que funciona para você?
Fonte: Dinheirama
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