Aliado do diagnóstico precoce da doença, o exame do líquor (líquido cefalorraqueano – LCR) é indicado nos casos de suspeita de comprometimento neoplásico do SNC, quando os exames por imagem não mostram lesões características e permitem a punção lombar para a coleta do líquor sem risco de complicação pelo procedimento. “O encontro de células neoplásicas no exame citológico do líquor atesta o envolvimento de câncer no SNC. Em alguns casos, o exame é fundamental para decisão da conduta médica e também para comprovação da eficácia da terapia adotada”, atesta Senne. Além disso, as amostras de liquor podem ser submetidas a outros testes mais específicos e sensíveis como a imunocitoquímica, imunofenotipagem e dosagem de marcadores neoplásicos que podem estar diluídos no líquor.
Mas o câncer do SNC não atinge somente crianças. De uma maneira geral, o risco diminui à medida que a idade avança até um segundo pico de incidência no final da fase adulta, entre a sétima e oitava décadas de vida. O especialista explica que, apesar de o melanoma (câncer de pele agressivo) ser o que mais invade o SNC, é comum que pacientes com câncer de pulmão, mama e próstata desenvolvam o comprometimento do Sistema Nervoso Central por conta do avanço da doença.
O fato de os primeiros sinais do câncer se assemelharem bastante a doenças comuns na infância torna o diagnóstico ainda mais difícil. Segundo Senne, as manifestações dependem da localização do tumor. Quando a lesão ocorre em áreas motoras ou sensitivas/sensoriais, os sintomas aparecem precocemente e estão relacionados à perda de força nos membros, desequilíbrio, turvação visual, formigamentos e déficits de sensibilidade localizada. Mas quando ocorrem em áreas de pouca expressão clínica, os sinais são classificados como inespecíficos pelo médico e muitas vezes pelo próprio paciente. “Nestes casos, o progressivo aumento do volume da neoplasia originará progressivo aumento da pressão intracraniana, que ocasionará sintomas como cefaléia, náuseas, vômitos e letargia. Quando chega a esta situação, o diagnóstico já é tardio, muitas vezes com poucas opções terapêuticas”, explica Senne.
Fonte: Sis Saúde
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