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Tempo de leitura: 3
30/11/2011

E se o futuro chegasse hoje?

Você já sabe que, para ter as finanças em equilíbrio, precisa poupar parte do que ganha. O motivo para isso? Garantir condições de desfrutar de um futuro que pode não ser tão abastado quanto hoje, ao menos em termos de oportunidades de trabalho.

Pequenas porções de dinheiro plantadas hoje serão multiplicadas por suas escolhas de investimento e podem se transformar no seu ganha-pão de amanhã. Porém você corre o risco de, uma vez motivado a poupar, entusiasmar-se com os investimentos ou com os negócios e, viciado no processo de enriquecimento, esquecer de viver o hoje.

Em minha experiência como consultor, acompanhei diversos casos de consumidores compulsivos que se transformaram em poupadores também compulsivos. Não ganharam nada com isso, apenas trocaram 8 por 80.

Não há vantagem em poupar em excesso, pois assim você abre mão de um nível de consumo e de conforto que pode lhe trazer bem-estar e contribuir para uma benéfica movimentação da economia.

Além disso, de pouco adiantará ter muito dinheiro amanhã se você se acostumar a viver de maneira exageradamente simples. Porém algo deve ser poupado, e seu desafio é encontrar o equilíbrio entre quanto gastar e quanto poupar.

Não estou propondo nenhuma tese nova ao sugerir que você pondere o quanto vale a pena pensar no futuro. Eduardo Giannetti, em seu livro “O Valor do Amanhã” (Companhia das Letras), discute longamente o assunto e nos explica que tendemos a dar maior importância ao presente do que ao futuro.

Não é preguiça ou negligência, mas sim uma defesa natural. Talvez em um nível não muito consciente, nosso cérebro tenta nos convencer de que é melhor gastar nosso dinheiro já. Isso será verdade, caso uma fatalidade venha a encerrar nossa vida ainda hoje -um risco real que acomete a todos nós.

Porém vivemos também o risco de sermos abençoados pela evolução da medicina e da educação, tornando viável viver por mais tempo do que nossos pais. Se gastarmos demais, nos arrependeremos.

Consequentemente, temos de evitar gastar a ponto de inviabilizar nossa possível sobrevivência por mais de um século, mas também evitar poupar a ponto de nos arrependermos se o futuro chegar para nós cedo demais. Equilíbrio é a palavra-chave.

O ideal é que você gaste com qualidade o quanto pode hoje, e poupe com inteligência o mínimo de que precisa para que seu interessante padrão de consumo não falte amanhã. Isso é bom para você e para toda a cadeia produtiva que é movimentada pelo dinheiro que você põe para trabalhar.

Rico não é aquele que tem um patrimônio inesgotável, mas sim quem obtém satisfação e sentimento de realização durante a maioria dos minutos de seu dia e com a maioria dos reais que consome a cada mês, ao mesmo tempo em que poupa o suficiente para não perder essa prazerosa sensação, se o futuro demorar a acontecer.

Se for um jovem, talvez esse rico tenha poucas reservas financeiras, mas o suficiente para estar bem se mantiver com disciplina seu ritmo de poupança por toda a vida. Se não vier a viver muito, não deixará muito dinheiro, mas terá vivido bem.

Se estiver feliz com seu trabalho e se mantiver poupando por muitos anos, talvez corra o risco de não consumir o dinheiro poupado. Mas é aqui que cabe o início de outra importante discussão entre os brasileiros: esqueça a ideia de poupar para consumir todo seu dinheiro no futuro!

Se pensar assim, talvez comece a consumir cedo demais, e vai acabar morrendo de ansiedade pelo esgotamento do dinheiro, e não de causas naturais. Não vale o risco. Poupe o suficiente para ter certeza de que não faltará dinheiro. Se deixar herança, sorte dos herdeiros. Se viver mais, sorte deles também, de contarem com a rica presença de seu ascendente por mais tempo.

Por esse raciocínio, nada traduz melhor o conceito de riqueza do que a segurança proporcionada pela sustentabilidade de nossas escolhas. Pense nisso, ainda hoje.

Fonte: Gustavo Gerbasi – Folhapress

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